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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Ingrid Betancourt quis morrer durante cativeiro das Farc

Em março de 2008, uma foto de Ingrid Betancourt mostrava a mais famosa refém das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) com os cabelos longos, rosto abatido e muito magra. Nesta quarta-feira (3), com a beleza de volta, e a elegância de costume, ela contou emocionada, durante o lançamento de seu livro em São Paulo, que o comandante da guerrilha que a fotografou captou naquela hora um dos momentos mais difíceis de seus oito anos e meio de cativeiro. Muito doente, naqueles dias ela pensou que morrer seria o melhor diante de tanto sofrimento.

Ex-refém diz que guerrilheiros viravam monstros

Libertada meses depois em uma ação espetacular do Exército colombiano, e agora vivendo na França, Ingrid continuou a ser notícia e a criar polêmicas. Dos tempos da selva restam histórias, contadas no livro Não há silêncio que não termine (Companhia das Letras). Segundo contou em um evento no auditório do Masp (Museu de Arte de São Paulo), também persistem os pesadelos.

- Eu tenho pesadelos ainda, e são os mesmos pesadelos que tinha quando estava na selva. Mas, naquela época, quando acordava, estava em um lugar ainda pior do que o pesadelo.

Ingrid foi sequestrada em 2002, aos 40 anos, quando era candidata à Presidência pelo Partido Oxigênio Verde. A Colômbia vivia o fim do governo Andrés Pastrana (1998-2002), que concordou em desmilitarizar uma região do país para negociar com as Farc. Então senadora, Ingrid participou das negociações, encerradas pelo governo dois dias antes de seu sequestro, diante da persistente violência da guerrilha.

No dia 23 de fevereiro de 2002, Ingrid insistiu em ir até a cidade de San Vicente del Caguán, no sul do país, mas foi parada no meio do caminho pela guerrilha. Ela conta que eles não pretendiam prendê-la, mas que depois que a levaram para a selva viram que tinham conseguido um grande trunfo.

- As Farc não queriam negociar. Eu virei um troféu para as Farc. Assim eles teriam mais exposição, teriam interlocutores internacionais.

Por oito anos e meio, os dois filhos adolescentes e vários manifestantes pediram sua libertação, que finalmente veio em julho de 2008, em um resgate inédito do Exército colombiano.

Ingrid diz que difamação é seu carma

Assim que foi libertada, Ingrid se transformou em uma estrela mundial. Seu nome foi até cogitado para o Nobel da Paz. Mas o mundo de honrarias logo deu lugar a fofocas e declarações de outros ex-reféns, que a chamavam de arrogante e narraram histórias pouco confortáveis para ela. No início de 2010, em Paris, para onde foi logo depois da libertação, Ingrid pediu ao governo colombiano uma indenização de cerca de R$ 11 milhões (R$ 6,5 milhões) pelos anos em que viveu no cativeiro.


- Na Colômbia, há uma lei que dá às vítimas de terrorismo o direito a uma compensação. Outras vítimas já entraram com pedidos. Quando eu fiz, foi muito triste. O governo disse: "Ingrid é uma ingrata, quer virar milionária depois do sequestro".

A ex-refém retirou o pedido depois da forte reação da opinião pública colombiana, que a considerou oportunista. Ingrid diz que tem "um carma", e que em toda sua vida foi "vítima de difamação". Foi usando essa palavra que ela também se defendeu das críticas dos ex-companheiros.

A ex-candidata à Presidência, que não quer mais saber de política, diz que boa parte de seu suposto comportamento arrogante e errático se dá por sua postura independente diante dos guerrilheiros.

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